O Mito do Palmito
Esse rapaz já é um grande conhecido dos técnicos da Anvisa, devido a polêmica envolvida com os sucessivos casos de botulismo no país, alarmando muitos por volta do ano de 1999. Nesse ano, mesmo com tantos contratempos, o mercado do palmito gerou um capital de 328 milhões de dólares, segundo o Inmetro.
O palmito é basicamente uma iguaria do Brasil, que responde por cerca de 85% do que se produz no mundo. Apesar disso, o país já não domina as exportações do produto.
A culpa é da falta de qualidade, afirma Antunes Correa.
As exportações brasileiras já foram da ordem de 40 milhões de dólares por ano. Importadores franceses deixaram de comprar do país e estimularam a produção na Colômbia para abastecer seu mercado. Nos últimos anos, Costa Rica e Equador, com plantios de pupunha e preços mais baixos, tomaram conta do mercado internacional. O Brasil exporta hoje de 7 a 8 milhões de dólares por ano, quase tudo para a Argentina.
A portaria n º 304, de 08 de abril de 1999 da Anvisa obrigava as empresas inserirem na embalagem do produto a seguinte advertência:
“Para sua segurança, este produto só deverá ser consumido após fervido no líquido de conserva ou em água, durante 15 minutos”
Na época houveram diversas reportagens e até o Inmetro foi incubido de analisar diversas marcas para gerar um parecer à população. Mas nos resultados obtidos as marcas escolhidas foram muito bem, pois apenas uma foi reprovada em um dos quesitos analisados (verificação de rotulagem, ensaio de pH, análise microbiológica e microscópica). O meio da conserva de palmito analisado se encontrava em desacordo com as normas ditadas propocionando um ambiente suscetível à proliferação de Clostridium botulinum, que liberam toxinas potentes.
Essas substâncias produzidas por essas bactérias podem causar paralisia muscular, podendo até matar. Os primeiros sintomas, que podem aparecer entre 18 e 36 horas após a ingestão do alimento contaminado, são boca seca, visão dupla, náuseas, vômitos, cólicas e diarréias. Depois surgem sintomas neurológicos, como paralisia facial, que terminam com problemas respiratórios.
No iníco de 2000 a etiqueta com a advertência foi abolida pela Anvisa (já? isso mesmo, se passou apenas um ano…) para algumas marcas e a circulação de certas marcas cancelada, incluindo a marca Etti, do grupo Parmalat (previsão da decadência iminente?)
Mas e agora?
Mais recentemente (2005) o Inmetro fez uma avaliação de produtos com marcas próprias no qual o palmito estava incluído. Obteve-se o seguinte resultado:
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Resultado Geral
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Marca |
Características |
Características Microbiológica |
Rotulagem |
Resultados |
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A |
Conforme |
Conforme |
Não Conforme |
Não Conforme |
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B |
Conforme |
Conforme |
Não Conforme |
Não Conforme |
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C |
Conforme |
Conforme |
Não Conforme |
Não Conforme |
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D |
Conforme |
Conforme |
Não Conforme |
Não Conforme |
Se se interessar por mais algum produto alimentício pode dar uma olhada na lista de produtos (alimentícios ou não) avaliados pelo Inmetro.
De acordo com o Inmetro,
todas as marcas de palmito em conserva analisadas apresentaram não conformidades quanto às informações que constam nas embalagens dos produtos. Dentre as não conformidades encontradas, podemos destacar a não apresentação ou a apresentação de forma inadequada de informações quanto a data de validade, quanto a conservação do produto, quanto à função do aditivo declarado no rótulo e quanto à presença de glúten no produto. (…) informações são essenciais ao consumidor e devem ser declaradas de forma clara, e em conformidade com as resoluções da ANVISA.
No que diz respeito ao glúten, proteína presente nos produtos à base de trigo, centeio, cevada e aveia. Estima-se que, a cada 300 brasileiros, pelo menos um é portador de uma enfermidade que impede a ingestão de alimentos com esta proteína.Trata-se da doença celíaca, que agride e provoca lesões no intestino delgado, comprometendo a área de absorção dos nutrientes. (…)

Preocupados com o impacto do botulismo nas suas vendas, os fabricantes também tomaram iniciativas para tentar reconquistar a confiança do consumidor e regularizar o mercado.
Criaram uma associação, a Anfap, que contratou uma empresa de auditoria externa para inspecionar a produção das várias indústrias. As marcas aprovadas têm o direito de afixar nos vidros um selo, atestando sua qualidade.
Apesar disso, o Inmetro ainda ressalta:
é necessária cautela para a compra do palmito em conserva, pois muitos palmitos provêm de fábricas clandestinas, envasados e transportados em condições pouco higiênicas e com rótulos falsificados
Em suma: Na dúvida, não coma.
E eu ainda tenho uma indagação a fazer a você caro leitor:
Você já viu o selo acima alguma vez na vida?


